{Lado Z } spacer
spacer
spacer
powered by blogger

{Domingo, Outubro 23, 2011}




Da série Haikais Filosóficos
(Luiz Alberto Benevides
22 pra 23/10/11, duas da manhã)

Se te persegue Pelotas
Abra os braços
Nunca dê as costas.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 3:26 AM
Clique aqui pra zumbir ou zurzir.


{Segunda-feira, Julho 11, 2011}



É impossível isolar uma foto preferida da maior banda de todos os tempos, mas essa aqui volta e meia fura o bloqueio e sai correndo na frente.





30 de março de 1967. Foto de Michael Cooper. Gravações do mítico Sgt. Pepper.
Zanzou por aqui Luiz com Z às 10:41 AM
Clique aqui pra zumbir ou zurzir.


{Quinta-feira, Maio 12, 2011}




LÍNGUA DORMENTE
(Luiz com Z, 12/5/11)

Donec eris felix, multos numerabis amicos.
Domecq entorna feliz, e muitos copos mais aos amigos.
Sursum etanol, preços com Osama nas alturas,
Ébrio nas nuvens, numerais não amigos,
Bebe pra esquecer a inflação,
Bebê a ignorar os perigos.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 8:58 AM
Clique aqui pra zumbir ou zurzir.


{Quarta-feira, Fevereiro 23, 2011}



Digam o que quiserem. Eu quero esse cabra como técnico do Fogão imediatamente após a aposentadoria.


Los piques de Abreu

"Si los invitás a venir a tu campo, los esperás y cuando recuperás les salís rápido por las bandas, les hacés daño porque atrás dejan muchos espacios. Así le jugamos nosotros, Argentinos Juniors y Boavista". Desde Rio de Janeiro, Sebastián Abreu desmenuzó las virtudes y los defectos de Fluminense y anticipó que los laterales son "volantes ofensivos".

La estrella del Botafogo avisó que los dirigidos por Muricy Ramalho son muy fuertes en el juego aéreo.

Fidelidad - "Lo mejor de Fluminense es que, independientemente de c***ál sea el rival, su esquema y su postura no se modifica. Más allá de que tácticamente te puede jugar con línea de cuatro o con línea de tres.

Engaña - "Ojo, la línea de cuatro de Fluminense es mentirosa. Tanto el lateral derecho Mariano, como el izquierdo Carlinhos son extremos por las bandas de ataque. Hay que contarlos como volantes creativos por las bandas, porque su función primordial es la de lanzarse constantemente al ataque. Entonces, quedan los dos centrales fijos atrás, que son Gum y Leandro Euzébio con uno de los volantes de contención, seguramente Edinho que se mete en una línea de tres falsa".

Juegan - "Diguinho, que es el otro volante de contención, sale siempre a jugar. Después tienen a Souza, que ahora lo han sacado y no sé si lo volverán a poner, cumpliendo un papel de creativo junto con Conca, que es el jugador diferente, porque es el típico enganche zurdo de gambeta".

Tanques - "Adelante tienen dos tanques, que son de diferentes características. Está Fred, que es el capitán, y es más técnico. Tiene calidad, devuelve paredes, se saca hombres de arriba y el otro, Rafael Moura, es más tanque todavía porque le gusta el mano a mano, le gustan las pelotas divididas, el cuerpo a cuerpo. Va muy bien en el juego aéreo y por la forma de jugar Fluminense, que va mucho por las bandas, tener dos nueves de ese tipo de referencia en el área se hace muy complicado para las defensas poder controlarlos".

Centros - "Tanto en las jugadas con las que se busca el área o en las acciones de pelota quieta, los hombres de Fluminense son muy difíciles de controlar. En los tiros de esquina y los tiros libres mandan a los dos centrales que tienen 1,88 y 1,90, y los dos delanteros de 1,89 cada uno más o menos. Son cuatro hombres altos y que van con decisión a buscar la pelota, van muy convencidos porque entrenan mucho eso, se dividen bien el área. La pelota les cae justo a ellos, van dos al primer palo y dos al segundo".

Espacios - "En contrapartida, lo que han sufrido, por ejemplo contra nosotros (Botafogo) en el campeonato Carioca o en la semifinal contra el Boavista o incluso frente a Argentinos Juniors en la Libertadores, es que cuando ellos tienen en definitiva una línea de dos porque los laterales se te van y a los zagueros los ayuda uno solo de los volantes, es mucho espacio para cubrir para tres jugadores y sobre todo cuando la virtud principal no es la velocidad. Entonces, cuando un equipo como Argentinos Juniors lo invitó a que venga a su campo, que propongan ellos, que tomen el mando del juego, vos los esperás y en el momento que recuperás les salís rápido en contragolpe por las bandas, sufren mucho porque los defensas se tienen que abrir demasiado, se ven obligados a cubrir muchos espacios".

Marcas - "El paso de ataque a defensa se les dificulta en grande, porque la vuelta de sus laterales se produce de manera muy lenta y los defensores de contención no pueden abarcar todo ese espacio. Es ahí cuando comienzan a tener muchas dificultades. Por ahora no han encontrado una solución al problema, sobre todo porque no resignan su estilo".

Figuras - "Para mí los laterales son fundamentales porque desde ahí se inicia el peligro. Conca es el desequilibrante y es el que suele resolver partidos con una jugada diferente y te termina metiendo otra vez a Fluminense en el juego. Y los dos delanteros. Los dos se complementan y cuando uno parece que está tomado, le dieron medio metro y te liquidó".

En ataque - "Ellos están en una situación de que tienen que ganar sí o sí, porque ya empataron el primer partido de la Copa, quedaron afuera de la final del campeonato Carioca y por eso su propuesta va a ser todavía más ofensiva de la que habitualmente realizan. Les urge ganar".

Zanzou por aqui Luiz com Z às 12:07 PM
Clique aqui pra zumbir ou zurzir.


{Quinta-feira, Novembro 04, 2010}


Então foi assim: o Santos, jornaleiro que me viu nascer, trabalhava na banca em frente ao prédio da minha avó (que nunca foi o ponto dele) e pediu pra eu levar logo a bolsa da Petrobras cheia de revistas que tava guardada num gavetão de metal na banca, porque podia passar mal e morrer, e aí eu ia perder todas. As revistas já estavam compradas e pagas, mas eu não tinha levado pra casa por falta de espaço.

Mas eu, curioso que só, vejo que as Mad 148 e 149, ainda à venda, tinham sido editadas em brochura e estão muito mais grossas (como almanaques), e que na 149 tem um splash escrito "Acreditamos que era importante que esta revista chegasse ao número 149". E eu penso "Pô, de novo? Na Record chegou ao 150. Por que esses caras não esperam chegar ao 150?" e em seguida penso "ai, meu saco, vou ter que comprar dois exemplares de cada edição dessa série sem graça porque a revista vai acabar de novo".
Não me pergunte como, mas corta pro desenho animado (com traço parecido com o de South Park, apesar de ninguém ser redondo) com os três passarinhos (dois passarinhos e uma passarinha) que nasceram e logo no nascimento têm raspado o cabelo do tampo de suas cabeças, antes de serem encaminhados pra doação e separados; um passarinho prum lado, o casal pra outro lado.

O passarinho isolado se dedica imediatamente a buscar o irmão e irmã, e acaba chegando numa seita de uns 50 fanáticos que funciona ao ar livre, sobre uns morros baixinhos. Ele consegue virar carne pura (de cor cinza amarronzada) pra ser engolido no ritual pelo líder da seita.
Uma vez dentro do corpo do líder, usa uma faca e, de dentro, corta fora o tampo da cabeça dele e começa a comandar o cadáver, que sai fugindo. Magicamente, os dois outros passarinhos, que estavam dentro de corpos de outros integrantes da seita, fazem o mesmo com seus respectivos hospedeiros e saem fugindo, e os outros fanáticos todos atrás, em perseguição.

Na perseguição, eles passam por vários muros com a pichação "MORO BOBOM", que quer dizer "CALA A BOCA". Eu e meu irmão, assistindo ao desenho, rimos muito, de gargalhar. E é assim, rindo, que eu acordo às 8:00 AM e consigo lembrar disso tudo.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 8:29 AM
Clique aqui pra zumbir ou zurzir.


{Quarta-feira, Julho 28, 2010}




FAIL PRIDE
(Luiz Alberto Benevides, 28/7/10)

Nunca serei um hipster
Sou risível demais pra ser descolado
Nunca serei humorista
Stand-up comedy deixa o pé inchado
Nunca serei descolado
Adoro All Star mas detesto cadarço
Nunca serei da elite da tropa
Meus impulsos fascistas sempre acabam em comunismo
Nunca serei um político
Posso tentar, mas confio que meus amigos vão me impedir
Nunca serei um homem da renascença
Nasci noutros quinhentos anos
Nunca serei uma expectativa
E se for pra ter filhos
Que nunca sejam commodities.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 2:47 PM
Clique aqui pra zumbir ou zurzir.


EASY NOW
(Luiz Alberto Benevides, July 28, 2010)

Everything’s fitting
Everything clicks together
Joints firmly coupled
Aircraft smoothly flies
Clouds dare from afar
But no troubled weather
Rain is just for the landing
Two-seat cockpit only
And when out in the sun
A passenger here and there
Plane crowded for the parties
Movie sketches are showing
Music stays on
No route planned for the time being
We live off our own days
Eating out and staying in
No need for prayers
We know what doesn’t work
We work towards
Our expectations
We get a kick
Out of the unknown
We peep through
The future
Holding hands

Zanzou por aqui Luiz com Z às 11:18 AM
Clique aqui pra zumbir ou zurzir.


{Quarta-feira, Fevereiro 17, 2010}


Única entrevista disponível na Internet com esse gênio da música brasileira, ator, roteirista e dirigente de futebol que o povo só conhece como (grande) comediante. Benditos sejam Jarmeson de Lima, Ana Garcia e Tathianna Nunes, jornalistas arretados de Recife. De Serra Talhada para o Rio, do Rio pra São Paulo, de São Paulo pro Tocantins e dali pra eternidade: Antônio Arnaud Rodrigues.


ARNAUD RODRIGUES
Entrevistado pela Coquetel Molotov, edição no. 5
Palavras: Jarmeson de Lima - 16/11/2008





“Eu sou nordestino. Nasci no sertão de Pernambuco e embora criado no Rio de Janeiro, sempre mantive minha formação de nordestino”. Foi assim que Arnaud Rodrigues falou quando comecei a fazer esta entrevista com ele. Nascido em Serra Talhada (PE), hoje este ator, cantor, arranjador e, sobretudo, humorista reside em Palmas (TO) e enfrenta semanalmente uma ponte aérea para São Paulo onde participa da gravação do programa A Praça é Nossa, no SBT. Mas antes de chegar a Palmas e antes de chegar no SBT, Arnaud teve uma trajetória musical incrível, que começou no início dos anos 70 e que até hoje não parou. O ápice de sua carreira foi ao lado do grande Chico Anysio na lendária banda Baiano e os Novos Caetanos, de onde possui ótimas recordações como poderão conferir nesta entrevista.

Só por curiosidade, perguntei a ele por que escolheu Palmas para morar. Aí ele me diz: “Uma vez eu vim fazer uns shows em Palmas e quando desci do aeroporto e entrei num táxi, a primeira coisa que eu vi foi um pé de pequi com duas rolinhas num galho. Me lembrei imediatamente do Pajeú e pensei: ‘È aqui que eu vou ficar!’. Aí fui ficando e terminei ficando por aqui mesmo”.

"Eu fiz coisa nova até sem saber. Se observar pelo tempo que foi lançado, o 'Redescobrimento do Brasil' é o disco que traz o primeiro reggae gravado no país!"

Quando foi o seu primeiro contato com um instrumento musical?
Meu pai era seresteiro e eu lembro quando ele cantava músicas de Orlando Silva, Dalva de Oliveira e assim fui criado num ambiente bem musical. E como dizem que a música caminha paralela ao humor, eu acho que a coisa foi meio por aí. Eu sempre fui ligado à música desde que me entendo por gente. Quando eu tinha uns 12 anos de idade eu descobri que meu tio tinha um violão velho em cima do armário. Um dia o tirei da capa e descobri que ele só tinha uma corda! Mesmo assim comecei a ficar brincando com o violão e uma corda só. Me lembro que a primeira música que tirei no violão foi “Tico-tico no fubá”.

E com uma corda só?!
Sim, isso mesmo. Aí toda vez que ficava lá na casa, eu brincava com esse violão. Até que um dia eu tinha pedido uma bola de presente pro meu tio. Passou o tempo e um certo dia, ele disse: “Trouxe seu presente”. Mas achei estranho porque não vi nada nas mãos dele que fosse uma bola. Ele botou a mão no bolso e tirou um jogo de seis cordas de violão. Botou no violão, afinou e deu pra mim. Quando vi aquelas seis cordas, isso me atrapalhou um pouco... Se uma já era difícil pra mim, imagina com mais cinco! (risos) Deixei o violão em cima do armário e uma semana depois voltei lá e comecei a praticar. Daí fui fazendo minhas musiquinhas com uns três acordes.

Mas quando você começou realmente a gravar?
Foi quando eu cheguei em São Paulo no final dos anos 60. Naquela época eu não conhecia os caminhos da música e como se fazia as coisas. Estava eu despretensiosamente nos corredores da TV Record tocando meu violão quando apareceu um senhor chamado Corisco (Waldemar Marquete), que era o maior editor da América do Sul. Ele me disse: “Que musiquinha bonitinha. De quem é?”. Eu disse: “É minha”. E ele perguntou: “Você edita onde?”. E eu, “editar o quê? Que é isso?”. Aí ele me explicou o que significava isso e me indicou a editora dele para começar a registrar minhas músicas. Ele também me apresentou ao Paulo Rocco, que é pai do Paulo Rocco Filho, da editora Rocco. Foi assim que Paulo Rocco fez comigo o meu primeiro disco que saiu pela Copacabana. Foi o “Sound Pila”. Como tava na época da pilantragem, aquela coisa que o Simonal falava muito, então fiz meu primeiro disco pensando nisso. Depois dele, eu fiz um disco que foi a primeira trilha sonora exclusiva para uma novela, que foi a “Tilim”. Porque até então os sonoplastas pegavam músicas variadas e colocavam num disco de acordo com o clima das cenas das novelas. Mas aí eu investi nesse que foi o primeiro disco especialmente composto pra uma novela.

E é como acontece com trilha sonora para cinema.
Exatamente. E eu sabia na época que quando os americanos iam lançar um filme, logo lançavam seis meses antes um LP com a trilha dele. De modo que quando o filme era lançado, as músicas já faziam sucesso. Então quando as pessoas iam ver o filme, não era nem por conta do filme e sim pelas músicas. Foi assim que pensei: “Por que não fazer um negócio desses aqui também?”. Meti a cara e fiz. O resultado foi tão bom que depois fiz outra. Foi para a novela Pigmaleão 70, em que eu e o maestro Beiramonte fizemos o tema da Tônia Carrero, que logo foi chamado de “Tema de Cristina”.

Interessante essa tua vontade em querer fazer coisas novas e investir em projetos diferentes. Mas como você conciliava isso com sua obra mais voltada para o humor?
Ah, é que em meio àquelas coisas meio engraçadas que fiz, também tem muita coisa séria na minha obra. Basta que as pessoas acompanhem. Vou dar dois exemplos, tem um disco meu chamado “Sudamérica” e outro chamado “Redescobrimento do Brasil”, que valem a pena serem ouvidos com essa coisa mais “séria”. Até algumas coisas que estão lá nos discos do Baiano e os Novos Caetanos que são mais diferentes, como por exemplo “Folia de Reis”, que é uma música minha. Voltando nesse negócio de inovação, eu fiz coisa nova até sem saber. Se observar pelo tempo que foi lançado, o “Redescobrimento do Brasil” é o disco que traz o primeiro reggae gravado no país! E isso foi em 80, 81... Esse reggae se chama “A Carta de Pero Vaz de Caminha”, que foi a carta original que eu musiquei. Eu me lembro que quando terminei, o arranjador do disco, Lincoln Olivetti, chamou Robson Jorge, um dos maiores guitarristas que já conheci e falou assim: “Bicho, olha só o que o Arnaud sacou! Isso aí é o tal do ‘regueie’”. (risos). Coisa que eles nem sabiam como era.

O reggae então nem tinha chegado direito no Brasil.
Não, não tinha chegado. Eu descobri esse lance porque eu ganhei um disco do Peter Tosh alguns anos antes. Era uma coisa que estava aparecendo na América Central. O público tava começando a ver aparecer as coisas de Bob Marley. E aí eu fiz esse reggae e ficou ali documentado. Se você pegar a data do surgimento do movimento reggae no Brasil e ver a data do disco, vai ver que “puta que pariu, é isso mesmo!”. Coisa que foi de muito tempo antes.

Fala agora daquele teu disco “Murituri”. Você se surpreende com o fato de uma geração atual estar começando a descobrir esse disco e a psicodelia brasileira da época agora?
Eu acho que “Murituri" é um disco atual, bicho. A própria música “Murituri” se olhar bem... (recita a música). “Das montanhas, eu trouxe um rosário de contas / Monges brancos dentro da estrela de pontas / A estrela vai brilhar no azul da nova era / Mas se não acontecer, faz de conta”. Eu diria até que se olhar para os músicos que tocaram nele, seria impossível fazer um disco como esse hoje em dia. Todos os metais de dez discos que eu fiz foram com Marcio Montarroyos, Leo Gandelman e Paulinho Trompete. De tecladista tinha Zé Roberto Pastrane, do Azymuth. Só fera! Sem falar que a gente tinha a possibilidade de gravar com quatro violas, oito cellos... Hoje em dia não dá mais. Ficou meio que impossível. Minhas vocalistas e backing vocals eram Rosana, Jane Duboc, Trio Ternura... basta ver nos créditos atrás dos discos que o negócio não era brincadeira. Era uma turma que tava começando, mas só tinha fera!

E como você reuniu toda essa gente?
Bicho, eu sabia quem eram essas feras na música. Como eu tinha liberdade para chamar para gravar, saía chamando. E até porque eles estavam se lançando também. Meus violinos, por exemplo, foram todos da Orquestra Municipal de São Paulo.

Depois de Murituri, veio o disco do Baiano e os Novos Caetanos. Quando surgiu a idéia de montar essa banda?
Isso foi no começo dos anos 70. A gente foi passar um final de semana no sítio do Chico Anysio, em Piraí (RJ). Eu estava na beira da piscina e o motorista do Chico chegou com os jornais do dia. Era o auge da ditadura com o Médici dando porrada em todo mundo. Nessa época, Caetano e Gil estavam em Londres, mas de lá eles mandavam uma coluna pro Pasquim. E o Pasquim era a primeira coisa que ia ler quando o jornal chegava, até porque eu também escrevia pra ele. Nisso o Chico acordou e eu comentei pra ele: “Pô bicho, tremenda sacanagem. O Caetano ser considerado uma pessoa de alta periculosidade e ter que ficar escondido, exilado lá fora...”. Era aquela coisa, o Caetano tinha uma filosofia, mas daí a dizer que era perigoso pro país era algo que não tinha nada a ver. Aí eu falei pro Chico que a gente podia reviver esses caras de uma outra maneira. Ficando disfarçado e tal e homenageando eles através de nossas músicas. E inclusive porque também tinha os Novos Baianos nessa mesma época. Então pra disfarçar, ao invés de fazer um negócio como “Caetano e os Novos Baianos” porque a censura ia vetar, a gente inverteu e ficou sendo “Baiano e os Novos Caetanos”. Na dupla, eu fazia o Paulinho. E uma forma que a gente encontrou na música de tentar sacanear essa censura era quando alguém perguntava pro Chico: “E aí Baiano, como é que é isso?”. Ele respondia: “Não sei, Paulinho é quem sabe”. Até porque sabe que ele (Caetano) não podia falar, né?! Então a gente caiu em cima disso.

Essas provocações chegavam a incomodar alguém do governo militar?
Nessa mesma época eu era roteirista do programa Chico City. E no programa o prefeito era ladrão. Só tinha corrupção. Mas quando me perguntavam sobre isso, eu conseguia enganar. Fui chamado várias vezes pela censura. Disso aí não tinha como escapar, mas eu sempre tinha minha saída. Numa vez o censor falou: “Você está dizendo que os prefeitos são ladrões?”. E eu: “Não. Pelo contrário, estou denunciando algum ladrão que possa existir”. (risos) Mas lá no fundo a gente sabia que todo mundo roubava mesmo.

E censura no disco? Todas as letras que fizeram passaram?
Sim, passaram. É que os censores eram burros também. E a burrice deles ajudou muito a gente. Mas foi aquela coisa, a gente não podia tirar o valor daqueles que encararam a ditadura. Então eu fui um deles também. Fui preso por conta do Pasquim. Todo mundo, na verdade. Millor, Henfil, Ziraldo, Jaguar... todo mundo foi fichado e ficou por lá como sendo pessoas que eram “perigosas” e que mereciam “cuidados especiais”.

Como foi a recepção do público? Você tem idéia de quantos discos venderam? Como era para conciliar esse projeto musical com o trabalho na TV?
Ah, o disco vendeu muito. Nós ganhamos três discos de ouro e um de platina. Ganhamos um festival na Espanha com “Vô batê pa tu” e fomos a maior sensação no MIDEM. Mais de 35 países têm o disco do Baiano e os Novos Caetanos! E aí a gente conciliava legal até porque a gente divulgava no próprio programa. Mas em compensação tinha o lado de exclusividade da Globo e que por conta disso o Baiano e os Novos Caetanos não podia cantar em outra emissora. Mas fizemos na época o Globo de Ouro, participamos do Chacrinha, Fantástico e o trabalho foi bem legal.

Chegaram a fazer muitos shows?
Infelizmente não. O disco é que circulou muito, mas não dava para a gente sair e fazer show em temporada. Era muito difícil. Na época, tínhamos três programas. Era o “Chico City”, um especial “Azambuja e Cia” e o Chico ainda tinha uma temporada fechada de um ano em um teatro com sessões de quarta a domingo. A gente recebeu convite do mundo inteiro, só que não dava pra ir. Ia ser complicado pra viajar porque tínhamos contrato com a Globo e o programa era semanal. Não pudemos ter muito uma carreira de músico. A gente conciliou dentro do que podia.

Mesmo assim conseguiram lançar mais três discos do Baiano e os Novos Caetanos.
E ainda mais eu, que além de cantor dentro do disco, era ator dos programas e roteirista. Em 76, ainda lancei o disco “Som do Paulinho”, que era o personagem Paulinho sem o Baiano e os Novos Caetanos. Nesse disco tem até uma música em homenagem ao Mercado de São José, do Recife.

Mas na década de 80, você diminuiu o ritmo de composições e gravou menos discos?
Não não. Até hoje não parei. O último disco que eu fiz foi “O Coronel”, um disco de humor que é meio direcionado pra um público específico. É para aquele cara que chega numa loja e pergunta: “Tem algum disco engraçado?” e o vendedor aponta: “É aquele!”. Esse disco tá aí e pedem muito. Sempre tem uma tiragem nova de 4 mil/5 mil...

E hoje em dia tem mais algum disco para gravar?
Agora mesmo eu tou finalizando um disco de rock. Rock autêntico. Só que eu peguei um intérprete. É o El Pinheiro, um menino daqui de Palmas muito bom. Então eu estou compondo, estou musicando, fazendo arranjo e fazendo tudo. Daqui a pouco você vai conferir esse disco. Rock autêntico. De raiz mesmo.

Então é uma volta às suas origens musicais no rock?
É o seguinte, bicho. Não existe isso de ex-roqueiro. Quem foi, continua sendo. O que acontece é que você deixa de praticar o rock. Não tenho mais 18 anos, não tenho mais aquele pique pra dançar, fazer aqueles passos, dar cambalhota... O rock nasceu pra mim quando ele chegou no Brasil mesmo. Foi com Little Richard, Elvis Presley, Pat Boone... Minha infância foi ao som de rock’n’roll lá no Rio de Janeiro. Depois veio a época da Bossa Nova, que foi quando comecei a aprender violão. Logo em seguida comecei a trabalhar na televisão e fui por aí. Mas sempre que ia, o rock voltava... E aí tem o rock de hoje. Mas o rock de hoje não tem peso...

Não?!
Não tem. O rock nasceu pra contestar. Não nasceu pra falar de amor. Foi pra contestar. Se você observar: os Rolling Stones continuaram e os Beatles acabaram. Porque os Beatles eram como um rock doce. E os Rolling Stones eram pra quebrar. Aquela coisa “I can’t get no satisfaction”, aquele rock gritado e contestador. Os Beatles pegaram muito do público feminino pela beleza deles. Enquanto que Mick Jagger tá por aí com quase 70 anos, tocando direto e ainda tocando a mesma coisa. E Keith Richards então?! É um outro fenômeno! A obra toda dele é baseada em três acordes e até hoje não passa disso. Se eles cantassem uma coisa do tipo “Oh, meu amor, cadê você?” eles tavam fudidos! (risos)

Pra finalizar, você acha que o público leva a sério ou não os humoristas?
Tomara que não leve a sério, senão ninguém ri. (risos) Mas a verdade é que eu não posso reclamar de minha condição de humorista. As pessoas me reconhecem pelos personagens que eu fiz. Me reconhecem pelos personagens que criei. E acima de tudo pela alegria que a gente consegue levar para cada um. Isso é gratificante. Eu nunca vi ninguém dizer “Arnaud, aquele ator é maravilhoso. Ele me fez chorar”. Eu sempre ouço o inverso: “Arnaud, aquele cara é tão bom. Eu ri tanto!”. Então quando as pessoas me vêem comentam isso: “Ô rapaz, você leva tanta alegria pra gente. Minha mãe gosta tanto de você”. E eu acho que isso é bom, poder levar alegria para as pessoas quando tem tanta tristeza por aí.

*Entrevista publicada originalmente na Revista Coquetel Molotov Nº 5

Zanzou por aqui Luiz com Z às 11:22 AM
Clique aqui pra zumbir ou zurzir.


{Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010}




LADO Z DO LADO DE ZELAYA

¡Golpistas al infierno!


Zelaya quer punir golpistas e reclama de falta de ajudaQui, 4 Fev 2010, 12h33


Santo Domingo, 3 fev (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, propôs esta quinta-feira (4) a aplicação de uma série de sanções contra os executores de golpes de Estado, e afirmou que suas tentativas fracassadas de retornar ao poder em seu país foram atrapalhadas pela falta de iniciativa da comunidade internacional.

Zelaya, que está na República Dominicana como "hóspede distinto", sugeriu a criação de tribunais internacionais, a dissolução dos Exércitos que tenham participado de golpes de Estado e a aplicação de sanções econômicas e comerciais aos regimes que venham a substituir os Governos escolhidos democraticamente.

Apesar de responsabilizar a comunidade internacional por não ter conseguido voltar ao poder, Zelaya agradeceu as manifestações de Governos e organismos internacionais a favor de sua restituição.

Em entrevista coletiva, o ex-governante propôs, além disso, que os países governados por golpistas sejam expulsos de sistemas multilaterais e organismos internacionais, assim como o cancelamento de vistos e o congelamento de contas bancárias dessas nações.

Zelaya informou que "nos próximos dias" definirá uma possível viagem ao México, após conversas entre o presidente do país, Felipe Calderón, e seu colega dominicano, Leonel Fernández.

Em relação à situação de Honduras, após a chegada ao poder do presidente eleito Porfirio Lobo, Zelaya exigiu "castigo" para os autores do golpe de Estado e o fim "imediato" da repressão que, segundo ele, sofre o povo hondurenho.

"O sistema de justiça (em Honduras) deve ser reestruturado. Pessoas que têm relação com golpes de Estado devem ser retiradas de seus cargos nas diferentes instituições", afirmou.

O presidente deposto destacou a solidariedade demonstrada a ele pelos presidentes latino-americanos e de outros continentes, e assegurou que mantém "excelentes relações" com os Governos que formam a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba).

Zelaya reiterou que pensa retornar "o mais em breve possível" a Honduras, mas disse que por enquanto "não há condições" para isso.

"Os que querem me julgar são meus adversários, que não levantaram um só dedo para julgar os assassinos, torturadores e repressores do povo hondurenho (...)", manifestou.

"Ainda há muito por fazer em Honduras, mas nossa intenção é buscar uma saída para o processo de reconciliação nacional", declarou, acompanhado de Rasel Tomei, um dos líderes da resistência hondurenha.

O ex-governante se mostrou de acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que recomendou hoje às autoridades de Honduras que revisem o decreto de anistia geral aprovado pelo Congresso Nacional para os envolvidos no golpe de Estado de 29 de junho do ano passado.

"Como diz a CIDH, essa anistia é ambígua (...) uma coisa são os delitos políticos e outra, muito distinta, são os delitos contra pessoas", esclareceu Zelaya. EFE

Zanzou por aqui Luiz com Z às 10:30 AM
Clique aqui pra zumbir ou zurzir.


{Terça-feira, Dezembro 22, 2009}




Papai Noel, quero que o Grinch roube o STJ e leve pra passar a noite de natal em Crystal Lake. Amém.


STJ suspende operação contra Daniel Dantas
Ter, 22 Dez 2009, 07h50


Três dias depois de ser afastado do caso MSI-Corinthians - inquérito sobre suposto esquema de evasão de divisas -, o juiz federal Fausto Martin De Sanctis conheceu novo revés. Por decisão do ministro Arnaldo Esteves Lima, da 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), está suspensa toda a Operação Satiagraha - investigação contra o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity.

A medida tem alcance ilimitado. Bloqueia qualquer ato relativo à Satiagraha, inclusive a ação penal que culminou na condenação de Dantas a 10 anos de prisão por crime de corrupção ativa - sentença imposta por De Sanctis, em novembro de 2008, que era alvo de apelação da defesa perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

Está suspenso também o processo principal da Satiagraha - em que Dantas foi denunciado pela Procuradoria da República por crimes financeiros, evasão e lavagem de dinheiro. A acusação teve base no inquérito da Polícia Federal (PF), inicialmente dirigido pelo delegado Protógenes Queiroz, depois restaurado pelo delegado Ricardo Saadi.

A liminar de Esteves Lima, relator do habeas corpus impetrado no dia 9 pelos advogados de Dantas, tem impacto até sobre outros três inquéritos que a PF abriu a partir de decreto de De Sanctis. Até julgamento de mérito, a Satiagraha está congelada e De Sanctis não poderá baixar nenhum ato, nem mesmo medida cautelar - buscas, interceptação telefônica ou quebra de sigilo. Fica sobrestada ainda a cooperação internacional - os Estados Unidos estavam ajudando a rastrear supostas contas do banqueiro no exterior.

O julgamento do mérito do habeas corpus poderá ser colocado em pauta a partir de fevereiro. Mas é provável que o caso fique mesmo com o STF, que dá a palavra final em matérias constitucionais. O advogado Tiago Cedraz Leite Oliveira, que integra a defesa de Dantas, recebeu com cautela a liminar. "O que se tem é a suspensão das ações penais em curso. É apenas o primeiro passo para que seja apreciada a arguição de suspeição do juiz." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Zanzou por aqui Luiz com Z às 12:18 PM
Clique aqui pra zumbir ou zurzir.

spacer